Dólar supera R$ 4,06 e bate máxima em três meses com aversão a risco

O dólar dispara nesta segunda­feira, ficando acima de R$ 4 e alcançando já na primeira sessão de 2016 o maior patamar desde o fim de setembro. A forte demanda pela moeda americana se dá em meio a um dia de intensa aversão a risco no exterior, após dados da China aumentarem as preocupações com o ritmo da segunda maior economia do mundo. Todos os principais pares do real sofrem firmes quedas. Mas, mantendo um padrão, a desvalorização da moeda brasileira é ainda mais acentuada, devido aos problemas políticos e econômicos locais. Nem mesmo a indicação do Banco Central (BC) de que rolará integralmente os US$ 10,431 bilhões em swaps cambiais tradicionais (contratos de câmbio) que expiram no começo de fevereiro traz alívio ao mercado hoje. Dentre as notícias divulgadas em meio às festas de fim de ano, a presidente Dilma Rousseff sancionou a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) de 2016, mas com 58 vetos, entre eles o reajuste dos benefícios do Bolsa Família. A decisão pode aumentar as tensões entre o governo e líderes sociais, cujo apoio no embate contra o processo de impeachment é considerado crucial. Outra informação que merece atenção é a de que o governo anunciou o pagamento de R$ 72,4 bilhões referentes às chamadas “pedaladas fiscais”, dívidas com o BNDES, FGTS, Caixa Econômica Federal e Banco do Brasil. A expectativa do Palácio do Planalto é que a medida enfraqueça ações em prol do impeachment da presidente Dilma. Às 9h41, o dólar comercial subia 2,38%, a R$ 4,0505. Na máxima, a cotação foi a R$ 4,0635, maior patamar desde 29 de setembro (R$ 4,1530). O dólar para fevereiro tinha alta de 2,28%, a R$ 4,090, após alcançar R$ 4,0985. (José de Castro | Valor)